agosto 06, 2004

Al-Gharb (3)

O Algarve tens condições naturais excelentes. O clima e as praias são certamente do melhor que há em toda a Europa, para não ir mais longe. Mas as condições de desenvolvimento e as infra-estruturas criadas para os turistas e população local é que não são as melhores, com excepções, é claro. É triste ver desperdiçar condições naturais fabulosas e não tirar delas o melhor partido.
Quem se desloca pela costa sul de Espanha – e eu conheço-a quase palmo a palmo, da Isla Canela à fronteira com França - nota uma grande diferença nas condições criadas nas praias espanholas quando comparadas com as nossas.

Ponto de honra da maioria das praias espanholas é ter um passeio que ladeia o areal e onde poderão ser encontrados mais ou menos equipamentos de lazer e/ou estabelecimentos comerciais. Outro equipamento obrigatório em tudo quanto é praia ou prainha espanhola é a existência de chuveiros e lava-pés. Neste aspecto, no Sotavento, e exceptuando talvez Monte Gordo, nada ou pouco existe.
A limpeza das praias, durante a noite, também merece, em Espanha, atenção cuidada – tractores filtram mecanicamente as areias retirando-lhe os lixos acumulados durante o dia e aspergindo-as, nalguns lugares, com produtos desinfectantes e antimicrobianos. Em Portugal, a limpeza da maioria das praias algarvias é feita – quando é, claro - às três pancadas.
Este ano, na praia da Manta Rota, depois da passagem do Levante (vento quente do sul/leste que origina mar revolto com ondas altas) acumulou-se uma quantidade anormal de algas na areia. Alguns habitantes locais afirmaram não recordar uma coisa assim nos últimos trinta anos. Teria sido uma tarefa relativamente simples e rápida proceder, de imediato, à remoção das algas mas desconfio bem que só os protestos enérgicos de turistas e comerciantes locais levaram as autoridades a proceder à sua recolha. E assim, durante três dias, uma camada de algas que, nalguns pontos, atingia o meio metro de altura, infestou o areal da conhecida e turística praia da Manta Rota com um cheiro pestilento a que se juntou mosquitos e outros insectos.
Outra diferença que salta à vista nas praias destes dois países, Portugal e Espanha, diz respeito ao numero de recipientes para lixo existentes nas praias – muitas das nossas nem um têm ou então está cheio ou danificado.

O rol das diferenças entre as praias lusas e as da Andaluzia, Catalunha ou as Valencianas, sem esquecer as da pequena Comunidade de Murcia, infelizmente e para nossa vergonha, é extenso. E, espantosamente, as nossas praias, a nível de condições naturais, em nada ficam a dever às espanholas. Pelo contrário, muitas até são bem melhores, largas e espaçosas, com areia branca e fina, enquanto por Espanha são frequentes as areias negras, ásperas e desagradáveis e as praias pedregosas e estreitinhas.
Mas, com tristeza o digo, os espanhóis que, à partida, tem condições naturais piores, conseguem apresentar um produto melhor e mais agradável à vista e, na maior parte dos casos, a melhor preço. Mas esse é assunto a desenvolver noutro post...

Publicado por vmar em agosto 6, 2004 07:21 PM
Comentários

Cuidado meu amigo ainda acaba por ser acusado de anti Al-Gharb. Mas isso é evidente como é que se pretende atrair turismo balnear a uma região quando os respectivos operadores se preocupam única e simplesmente com o lucro fácil e rápido. Enquanto assim pensarem óbviamente que os turistas optam por outros destinos ainda que as condições das praias possam não ser tão atraentes
como refere.

Afixado por: congeminações em agosto 6, 2004 09:41 PM

Repetimos sempre o mesmo - mentalidades. Cá tudo quer encher o bolso o mais rápido possível e do modo mais fácil. Os operadores, os autarcas... nem se pensa que quem é mal servido este ano, não volta para o próximo. E já não falo só da alternativa do sul de Espanha. O norte de África começa a ser um competidor de peso apesar dos factores de risco. Quando eles diminuirem estou para ver.

Afixado por: ognid em agosto 6, 2004 10:19 PM

E a qualidade do pessoal da hotelaria?
Em Portugal é raro encontrar-se pessoal 'com escola' em hotéis com 3 ou menos estrelas.
Os espanhóis têm pessoal habilitado em quase todos os hotéis...
Enfim... não vale a pena bater tanto no ceguinho...

Um abraço,
Francisco Nunes

Afixado por: Planície Heróica em agosto 6, 2004 10:20 PM

Como sempre, para mal dos nossos pecados, falamos muito e fazemos quase nada. Também neste capítulo a ladaínha segue e soma.

Um abração do
Zecatelhado

Afixado por: Zecatelhado em agosto 6, 2004 11:47 PM

Não deixa de ser uma excelente praia... e eu vi as "tais" algas! :)

Afixado por: Nelson Pires em agosto 7, 2004 01:38 AM

Estes seus textos abram-me o apetite para conhecer Portugal.Infelizmente só conheço(e mal...) Lisboa,Sintra, Cascais, Estoril, Setubal, Nazaré, e só fui uma vez ao Porto, e outra vez ao Brejão, a casa da Amália Rodrigues, no Litoral Alentejano.( é uma vergonha, nâo é?)
Qualquer dia tenho de alugar uma carro e partir à descoberta deste Portugal tão desconhecido para mim...

Afixado por: Valeria em agosto 7, 2004 04:13 AM

Estes seus textos abrem-me o apetite para conhecer Portugal.Infelizmente só conheço(e mal...) Lisboa,Sintra, Cascais, Estoril, Setubal, Nazaré, e só fui uma vez ao Porto, e outra vez ao Brejão, a casa da Amália Rodrigues, no Litoral Alentejano.( é uma vergonha, nâo é?)
Qualquer dia tenho de alugar uma carro e partir à descoberta deste Portugal tão desconhecido para mim...

Afixado por: Valeria em agosto 7, 2004 04:14 AM

Infelizmente tenho que concordar, porque esta é realmente a nossa realidade e não só no Algarve, mas por toda a nossa Costa... Beijinhos Ana e Vmar, continuação de um excelente fim de semana

Afixado por: Maria Branco em agosto 7, 2004 11:31 AM

Muito boa.
Continua, que nós apoiamos.

Afixado por: Edite em agosto 8, 2004 06:09 PM